A China anunciou que vai aplicar uma tarifa pesada sobre a carne bovina do Brasil caso as exportações ultrapassem um limite pré-definido. A medida pode mexer com o dólar, preços internos e até o emprego no campo.
A relação comercial entre Brasil e China, uma das mais importantes para o agronegócio brasileiro, acaba de entrar em uma nova fase de tensão. O governo chinês anunciou que, a partir de 2026, poderá cobrar uma tarifa extra de até 55% sobre a carne bovina brasileira sempre que as exportações ultrapassarem um volume máximo estabelecido.
Na prática, a China criou um sistema de “teto” para as importações. Enquanto o Brasil exportar dentro desse limite, as vendas seguem normalmente. Mas se o volume passar do que foi autorizado, o que entrar a mais sofrerá uma taxação muito elevada, tornando a carne brasileira bem menos competitiva no mercado chinês.
O Brasil, que hoje é o maior fornecedor de carne bovina para a China, recebeu a maior fatia da cota total, acima de 40% do volume permitido. Mesmo assim, o número impõe um freio no ritmo de crescimento das exportações. Em anos recentes, o país vinha ampliando rapidamente suas vendas para o mercado chinês, aproveitando a forte demanda.
A decisão chinesa está ligada a um problema interno. Nos últimos anos, os produtores de gado da China vêm enfrentando prejuízos por excesso de oferta no mercado. Para tentar estabilizar os preços e proteger seus criadores, o governo resolveu limitar o volume de carne importada e aplicar tarifas quando esse limite for ultrapassado.
Para o Brasil, o impacto pode ser grande. Se a demanda chinesa continuar alta e os exportadores brasileiros atingirem o teto, a taxa de 55% pode reduzir drasticamente os embarques. Isso pode gerar sobra de carne no mercado interno, pressão sobre os preços e até reflexos no dólar, já que o setor agro é um dos maiores geradores de divisas do país.
Além disso, a medida aumenta a incerteza para frigoríficos, pecuaristas e investidores. Muitos contratos são planejados com meses de antecedência, e um custo extra desse tamanho pode mudar completamente a rentabilidade das operações.
Mesmo sem citar diretamente o Brasil, a decisão afeta todos os grandes exportadores — incluindo Estados Unidos e Austrália —, mas pesa especialmente sobre quem mais vende para a China: o agronegócio brasileiro.
Nos bastidores, o governo brasileiro deve tentar negociar ajustes, mas o sinal de Pequim é claro: o mercado chinês continuará aberto, porém com limites e regras mais duras. Para o Brasil, isso representa um novo desafio em um dos setores mais estratégicos da economia.
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