EUA estudam possíveis cenários para a Venezuela em eventual queda de Maduro, aponta jornal


Segundo informações reveladas pelo The Washington Post, integrantes do governo de Donald Trump estariam conduzindo uma análise aprofundada sobre possíveis cenários para o dia seguinte a uma eventual saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Esses relatórios, elaborados por autoridades americanas, demonstram crescente preocupação com a postura que as Forças Armadas venezuelanas adotariam diante de uma transição abrupta — algo considerado decisivo para qualquer mudança política no país.

A relação entre EUA e Venezuela já vinha se deteriorando há anos, mas ganhou um novo nível de tensão durante a gestão Trump. O governo americano intensificou críticas ao regime chavista e chegou a adotar uma postura mais agressiva, com ameaças públicas sobre operações militares terrestres e marítimas. Entre as medidas mais polêmicas está a classificação do Cartel de los Soles como organização terrorista, o que ampliou o leque de ações possíveis no combate a grupos ligados ao regime venezuelano, segundo autoridades dos EUA.

Maduro e seus aliados, entretanto, negam veementemente todas essas acusações. Para o governo venezuelano, Washington estaria articulando uma mudança de regime com objetivos geopolíticos e econômicos, especialmente relacionados às vastas reservas de petróleo, gás e minerais estratégicos do país. O ditador, que governa desde 2013, acusa os Estados Unidos de tentar desestabilizar sua gestão, afirmando que o povo venezuelano e o aparato militar resistiriam com firmeza a qualquer tentativa de intervenção ou derrubada forçada.

Paralelamente, os EUA também analisam as propostas de transição apresentadas por setores da oposição venezuelana, hoje fortemente representada por figuras como María Corina Machado. Esses planos incluem alternativas de reorganização institucional, caminhos para eleições futuras e estratégias para garantir alguma estabilidade em um eventual processo de reconstrução do país — caso Maduro seja deposto ou decida deixar o poder sob pressão interna ou internacional.

Os documentos obtidos pelo jornal revelam ainda que autoridades americanas debatem se teriam superestimado seu impacto político e militar sobre o regime chavista. Há dúvidas sobre o quanto a estrutura de poder de Maduro permanece intacta e até onde suas forças armadas estariam dispostas a ir para garantir sua permanência no comando. Isso levanta questionamentos estratégicos e coloca em xeque previsões feitas anteriormente por setores de Washington.

A tensão entre as duas nações se intensificou especialmente nos últimos meses, quando um dos maiores símbolos do poder militar americano — o porta-aviões USS Gerald R. Ford — surgiu em águas próximas ao território sul-americano acompanhando uma frota de navios de guerra. Essa movimentação foi interpretada por analistas como um recado direto do governo Trump ao regime de Maduro.

Desde setembro, Washington tem fortalecido sua presença militar no Caribe e no Pacífico, alegando combater o tráfico internacional de drogas. Mais de 20 embarcações suspeitas foram destruídas nesse período, resultando na morte de dezenas de pessoas e elevando ainda mais a percepção de instabilidade na região.

Além da pressão militar, os Estados Unidos continuam adotando uma estratégia de sanções econômicas rigorosas contra a Venezuela, afetando setores essenciais como petróleo, transporte aéreo e comércio internacional. O governo americano também emite alertas constantes para que companhias aéreas evitem sobrevoar o espaço aéreo venezuelano, classificando o ambiente como de risco elevado.

No conjunto, essas ações revelam que o governo Trump não apenas tenta isolar Maduro política e economicamente, mas também se prepara para lidar com possíveis consequências caso o regime entre em colapso ou enfrente uma mudança abrupta. A combinação de tensões militares, pressão diplomática e cálculos estratégicos mostra que o futuro da Venezuela continua sendo um dos temas mais sensíveis e complexos da política externa dos EUA.

Resumo

O governo de Donald Trump está avaliando possíveis cenários caso Nicolás Maduro deixe o poder na Venezuela. Documentos obtidos pelo The Washington Post mostram que os EUA temem como as Forças Armadas venezuelanas reagiriam a uma transição.

Washington intensificou a pressão política, militar e econômica sobre o regime, classificando grupos ligados ao governo como terroristas, reforçando sanções e aumentando a presença militar no Caribe.

Maduro nega todas as acusações e afirma que os EUA querem controlar os recursos naturais do país. Os EUA também analisam planos da oposição, mas ainda questionam se subestimaram a força do regime venezuelano.

A situação permanece tensa, com pressão internacional crescente e risco de escalada militar na região.

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