A movimentação política em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal tem revelado bastidores que poucos imaginavam. Entre os episódios mais surpreendentes está a atuação direta de dois ministros ligados ao bolsonarismo — André Mendonça e Kassio Nunes Marques — que, inesperadamente, passaram a trabalhar para reduzir resistências e conquistar apoio para o indicado de Lula.
Ambos chegaram ao STF pelas mãos de Jair Bolsonaro e, por isso, carregavam a expectativa de representar uma espécie de contrapeso às decisões do atual governo. No entanto, o comportamento de bastidor adotado por eles tem causado desconforto tanto entre parlamentares de oposição quanto entre apoiadores mais fiéis ao ex-presidente. A aproximação com Messias, vista como estratégica e silenciosa, desperta exatamente o oposto do que se imaginaria de figuras que surgiram como apostas do campo conservador.
De acordo com relatos de parlamentares, essa articulação dos ministros abriu portas em gabinetes onde Messias dificilmente seria recebido. Conversas informais, ligações e até gestos de incentivo teriam ajudado a suavizar a imagem do indicado de Lula, especialmente entre senadores do PL e de partidos alinhados ao bolsonarismo. Alguns desses parlamentares, após ouvirem os ministros, passaram a admitir reservadamente a possibilidade de votar em Messias — embora jamais confirmem isso publicamente, com receio de desgaste com suas bases.
O fato de a votação ser secreta apenas aumenta a chance de movimentos inesperados. É nesse ambiente que Mendonça e Kassio atuam, costurando uma rede de apoio discreta e, ao mesmo tempo, eficiente. Enquanto nas redes sociais a oposição se mantém firme no discurso de rejeição total aos nomes ligados ao governo, nos bastidores a realidade é bem diferente: votos circulam, conversas avanças e interesses se alinham quando convém.
Essa postura dos ministros gera críticas porque, para muitos, evidencia um distanciamento entre o papel institucional que exercem e a imagem que consolidaram para chegar ao Supremo. Ao invés de representarem a resistência esperada por parte do bolsonarismo, tornam-se peças-chave para viabilizar o projeto político do governo Lula — especialmente em um tema sensível como a composição da mais alta corte do país.
Messias, atual advogado-geral da União, depende de 41 votos para ser aprovado. A data da votação ainda não foi definida, mas a movimentação nos corredores do Senado indica que a resistência inicial perdeu força, muito graças à atuação silenciosa de Mendonça e Kassio. O gesto, para muitos, é uma demonstração clara de que, no jogo político, alianças não seguem necessariamente coerência ideológica, mas conveniências momentâneas — e que nem sempre quem chega ao poder pelas mãos de um grupo continuará comprometido com ele.
Se Messias for confirmado, seu caminho até o STF ficará marcado não apenas pelo apoio do governo Lula, mas também pela inesperada colaboração de dois ministros que, ao invés de manter distância, atuaram nos bastidores para derrubar barreiras e garantir votos preciosos. Uma movimentação que expõe, mais uma vez, que política se faz muito além dos discursos: é nos bastidores que as verdadeiras engrenagens giram.
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