Malafaia dispara contra “amadorismo” após anúncio de Flávio Bolsonaro ao Planalto


O pastor Silas Malafaia, uma das figuras mais influentes e barulhentas do campo bolsonarista, voltou a movimentar o debate político após publicar, na noite desta sexta-feira (5/12), uma crítica direta ao que chamou de “amadorismo da direita”. A declaração, feita em suas redes sociais, veio justamente no momento em que o nome de Flávio Bolsonaro ganhou força como o novo escolhido do clã Bolsonaro para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026.

Malafaia afirmou que a desorganização e a falta de coordenação entre lideranças conservadoras têm comprometido a capacidade da direita de se apresentar como um grupo sólido. Em suas palavras, esse comportamento acaba gerando situações que fazem a esquerda “dar gargalhadas”. Embora o pastor tenha frisado que sua fala não é “contra nem a favor de ninguém”, o timing da crítica não passou despercebido entre aliados.

A repercussão ocorreu poucas horas depois da confirmação de que Jair Bolsonaro, atualmente detido na carceragem da Polícia Federal em Brasília, optou por lançar o filho mais velho, Flávio, como seu representante na corrida presidencial. É a primeira vez que o ex-presidente torna pública a intenção de transferir a liderança eleitoral para um de seus filhos, consolidando o senador como seu herdeiro político direto.

Nos bastidores do PL, a escolha mexeu com a estrutura interna do partido. Parte do Centrão demonstrou resistência, temendo uma candidatura que ainda enfrenta rejeição considerável fora do núcleo bolsonarista. O mercado financeiro também reagiu mal: o anúncio provocou queda imediata na bolsa de valores, refletindo incertezas sobre a força e a viabilidade eleitoral do movimento.

Apesar das turbulências, Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente a confiança do pai. Em suas declarações, disse receber a indicação com “grande responsabilidade” e reforçou que pretende dar continuidade ao projeto de governo iniciado por Jair Bolsonaro. O senador também ressaltou que sua pré-campanha deve incluir viagens pelo país, articulações com governadores aliados e encontros com a base conservadora.

Dentro do PL, a expectativa é de que Flávio assuma gradualmente o papel de liderança nacional que antes era ocupado exclusivamente pelo pai. Aliados afirmam que ele tem condições de unificar a legenda, especialmente com o apoio de gestores alinhados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Cláudio Castro, no Rio de Janeiro.

Malafaia, historicamente próximo de Jair Bolsonaro, tem desempenhado papel central na organização de manifestações e ações de mobilização da direita. Suas críticas públicas, portanto, acendem um alerta dentro do grupo: para o pastor, se o campo conservador quiser se manter competitivo, precisará corrigir erros internos e agir com mais estratégia daqui para frente.

Resumo

Silas Malafaia criticou o “amadorismo” da direita logo após o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto. A indicação feita por Jair Bolsonaro gerou tensões internas no PL, resistência no Centrão e queda na bolsa. Mesmo assim, Flávio assumiu a missão e busca fortalecer sua pré-campanha com apoio de aliados. As críticas de Malafaia reforçam a cobrança por mais organização dentro do bolsonarismo.

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