A declaração de Flávio Bolsonaro de que Jair Bolsonaro já teria escolhido seu candidato levantou mais perguntas do que certezas. É fato que, nos últimos meses, Flávio tem assumido cada vez mais o papel de porta-voz do pai — algo que, por um lado, dá mais organização ao campo bolsonarista, mas por outro gera estranhamento em parte da base.
Antes, havia uma “terra de ninguém” na comunicação: cada aliado falava uma coisa, cada grupo puxava para um lado. Agora, com Flávio assumindo a linha de frente, a mensagem parece mais centralizada. Mas surge a dúvida:
essa centralização realmente reflete a vontade de Jair Bolsonaro ou ela nasce do protagonismo que Flávio vem tentando construir dentro do próprio movimento?
Não há nada de errado em um filho assumir a defesa e a coordenação política do pai, mas é natural que o público questione até que ponto algumas falas representam Bolsonaro — especialmente quando o cenário ainda está indefinido.
E outra questão inevitável aparece:
Se o objetivo é força eleitoral, experiência administrativa e competitividade nacional, não seria Tarcísio de Freitas o nome mais sólido?
Tarcísio tem aprovação, gestão bem avaliada e trânsito em setores que o bolsonarismo costuma ter dificuldade em alcançar. Por isso, muitos observadores enxergam nele o “candidato natural” — pelo menos no papel.
Ou seja:
o anúncio representa de fato a escolha pessoal de Jair Bolsonaro ou é um movimento articulado por Flávio para consolidar sua própria influência dentro do grupo?
Pergunta não ofende. E, neste momento, é justamente a pergunta que muita gente está fazendo.
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