O que Caiado fez dentro do plenário da Câmara mudou o clima na hora — e pegou deputados de surpresa


O plenário da Câmara dos Deputados viveu uma noite incomum nesta terça-feira (18/11). Em um movimento que chamou atenção de parlamentares, assessores e até da imprensa, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência em 2026, Ronaldo Caiado (União), entrou pessoalmente no plenário para negociar o texto do PL Antifação. A atitude inesperada alterou o clima da sessão e provocou um rebuliço imediato entre os deputados.

A presença de um governador dentro do plenário, atuando como articulador direto, não é algo comum — e isso fez com que muitos parlamentares tentassem entender rapidamente o que estava acontecendo. A movimentação de Caiado não foi discreta: ele circulou entre diversos grupos, conversou ao pé do ouvido com lideranças e reforçou sua posição sobre pontos do projeto que ainda estavam sendo ajustados.

Entre os deputados com quem Caiado conversou diretamente estão nomes de diferentes blocos políticos: Elmar Nascimento (União-BA), Kim Kataguiri (União-SP) e Guilherme Derrite (PP-SP), que é o relator do texto. Além deles, a coluna flagrou o governador dialogando com lideranças da oposição e do Centrão, como Sóstentes Cavalcante (PL-RJ), Dr. Luizinho (PP-RJ), Pedro Lucas (União-MA) e Zucco (PL-RS).

De acordo com relatos de bastidores, Caiado chegou a Brasília por volta das 16h30 e participou de uma reunião de líderes antes de ir ao plenário. Essa reunião definiu as últimas alterações no texto — alterações que o governador fez questão de acompanhar de perto, demonstrando interesse direto na construção final do projeto. Sua presença foi interpretada como um recado político claro: Caiado quer protagonismo nas pautas de segurança pública e não pretende terceirizar articulações decisivas.

A estratégia do governador é vista como parte de um movimento maior mirando 2026. A presença firme dentro do plenário sinaliza que ele pretende se posicionar como figura central em debates nacionais de alta sensibilidade. E essa postura contrasta com a do governo Lula, que, após mudanças em seu próprio texto, tem trabalhado nos bastidores para adiar a discussão do projeto.

O vídeo que circulou nas redes sociais e no próprio Congresso mostra Caiado cercado por parlamentares, conversando de forma firme, gesticulando e apontando detalhes do texto que considerava essenciais. Deputados ouvidos após a movimentação afirmaram que o governador “entrou para resolver”, demonstrando domínio da pauta e pressa na aprovação.

A ida de Caiado ao plenário, segundo alguns líderes, teve dois efeitos imediatos: acelerou as negociações e pressionou parlamentares indecisos, que se viram diante de um governante determinado a influenciar o resultado diretamente no campo de batalha legislativo.

Independentemente da posição política de cada um, o fato é que a atuação de Caiado colocou o nome dele ainda mais em evidência no cenário nacional. Se havia dúvidas sobre sua intenção de participar mais ativamente das discussões de Brasília, elas foram totalmente eliminadas nesta noite.

O recado foi dado: Caiado entrou no jogo — e está jogando para vencer.

Opinião

A ida de Ronaldo Caiado ao plenário da Câmara para negociar pessoalmente o PL Antifação não foi apenas uma movimentação política: foi um recado. Um recado claro, direto e sem rodeios de que ele não está disposto a assistir o jogo de fora. Caiado entrou no campo, chamou a responsabilidade e mostrou que quer ser protagonista nas decisões que mexem com a segurança e com o clima político do país.

Enquanto muitos governadores preferem atuar nos bastidores, Caiado fez o contrário: colocou a cara, foi ao plenário, encarou deputados e discutiu ponto a ponto do projeto. Isso pode desagradar alguns, pode surpreender outros, mas uma coisa é inegável — ele mostrou força.

E força, hoje, em Brasília, vale tanto quanto voto.

O gesto também deixou evidente algo que já vinha sendo comentado: Caiado está se posicionando para 2026. Não quer ser coadjuvante, não quer depender de intermediários e, principalmente, não quer deixar que o governo federal dite sozinho os rumos dessa discussão. Ele quer marcar território.

Se foi teatral? Talvez. Se foi calculado? Com certeza. Mas política é isso: movimento, presença, simbologia. E Caiado entendeu que, para ser lembrado, não basta falar — tem que aparecer onde a coisa está acontecendo.

No fim das contas, goste ou não, a verdade é que a postura dele mudou o clima na Câmara naquele momento. Deputado que estava alheio ao debate passou a prestar atenção. Liderança que estava confortável teve que se mexer. O jogo virou pressão.

E se tem algo que define Brasília, é isso: quem pressiona mais, vence mais.

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