O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), fez duras declarações nesta terça-feira (25) ao afirmar que, caso o projeto de anistia não seja pautado em breve, a oposição poderá adotar novas medidas no Congresso Nacional. A fala ocorreu em entrevista ao portal Metrópoles e reacende o clima de tensão entre parlamentares bolsonaristas e a cúpula do Legislativo.
Segundo Sóstenes, a paciência da oposição estaria se esgotando novamente, diante da demora em colocar o tema em votação. Ele relembrou que, em agosto, parlamentares ligados ao bolsonarismo chegaram a obstruir a mesa diretora, impedindo o andamento de propostas no Congresso como forma de pressão política.
"Nossa paciência já esgotou uma vez e pode esgotar novamente. Nós não suportamos mais. Somos cobrados pelas famílias”, declarou o parlamentar, ao afirmar que, se o texto continuar fora da pauta, a bancada deverá se reunir para definir estratégias que só seriam divulgadas em momento oportuno.
Articulação com Hugo Motta
Sóstenes também afirmou que existe uma articulação entre a alta cúpula do PL e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o projeto seja levado à votação nos próximos dias. Entretanto, segundo ele, a oposição ainda aguarda um retorno do presidente da Casa sobre o tema.
Pressão do STF
O líder do PL foi além e sugeriu que a não inclusão da proposta na pauta estaria relacionada a uma suposta pressão exercida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre Hugo Motta. Embora tenha ressaltado que Motta não tenha confirmado diretamente essa situação, Sóstenes afirmou acreditar que o presidente da Câmara sofre influência do Judiciário em matérias que envolvem o STF.
“Ele nunca assumiu para mim, mas deve sofrer uma pressão exacerbada do ministro Alexandre de Moraes. Qualquer votação que diz respeito a matérias inerentes ao STF, eles exercem suas pressões a parlamentares, em especial aos presidentes das duas Casas”, afirmou.
Clima de tensão política
As declarações evidenciam o ambiente de embate entre setores da oposição e o Supremo Tribunal Federal, além de pressionarem diretamente a presidência da Câmara em torno de uma pauta sensível e de forte apelo político junto à base bolsonarista.
A possível retomada de ações mais incisivas por parte da oposição pode impactar diretamente o andamento dos trabalhos legislativos nos próximos dias.
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