A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, nesta terça-feira (11), um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele possa receber a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar.
O documento, enviado pelos advogados de Bolsonaro, pede que o encontro seja autorizado “na data mais breve possível”, alegando a necessidade de um diálogo direto entre os dois. O objetivo, segundo o texto, seria tratar de assuntos pessoais e políticos de “interesse mútuo”.
A última vez que Bolsonaro e Tarcísio se encontraram foi em setembro, também com aval do STF. Agora, porém, o novo pedido acontece em um momento delicado: o fim do prazo de análise dos embargos apresentados pela defesa do ex-presidente contra a condenação da Primeira Turma do Supremo, que o sentenciou a 27 anos de prisão no caso da trama golpista.
Nos bastidores, a movimentação é vista como estratégica. Bolsonaro, impedido de disputar eleições por conta das condenações, ainda não definiu quem apoiará em 2026, e o nome de Tarcísio tem ganhado força entre aliados como possível herdeiro político.
Na minha opinião, Tarcísio é hoje o nome mais forte para representar Jair Bolsonaro. É o que tem mais estrutura, visibilidade e capacidade de unir a base conservadora. Além disso, vem se destacando pela gestão em São Paulo, o que reforça sua imagem de político técnico e preparado — algo que pode pesar muito em uma futura disputa nacional.
O encontro, portanto, pode ir muito além de uma simples visita. Há quem veja na pressa do ex-presidente um sinal de articulação eleitoral antecipada, especialmente diante da possibilidade de ele ser transferido para o presídio da Papuda, no Distrito Federal, caso o STF determine o cumprimento em regime fechado.
Enquanto isso, Tarcísio tenta equilibrar a relação com o bolsonarismo e, ao mesmo tempo, preservar sua imagem como gestor técnico — uma estratégia que o mantém viável tanto para o campo da direita quanto para o centro político.
Entre o jogo jurídico e a movimentação política, o encontro entre Bolsonaro e Tarcísio promete mexer com o tabuleiro de 2026 — e, pelo visto, o ex-presidente não quer perder tempo.
0 Comentários