Cassação confirmada: o detalhe que levou Cabedelo a novas eleições


O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) decidiu, nesta segunda-feira (17), manter a cassação do prefeito de Cabedelo, André Coutinho (Avante), e da vice-prefeita Camila Holanda. A Corte também determinou a realização de novas eleições na cidade e declarou a inelegibilidade por oito anos do ex-prefeito Vítor Hugo Castelliano, além de outros investigados no processo.

O julgamento ocorreu após recurso contra a decisão da 57ª Zona Eleitoral, que havia condenado o grupo por abuso de poder político e econômico, além de captação ilícita de votos nas Eleições de 2024. O relator, juiz Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires, votou pela manutenção integral da sentença de 1º grau, apontando robustez nas provas apresentadas pela investigação.

Segundo o magistrado, houve infiltração de facção criminosa no processo eleitoral de Cabedelo, com indícios que motivaram inclusive a abertura da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e atuação do Ministério Público da Paraíba.

Com a decisão, ficam cassados os mandatos de:

André Coutinho (prefeito)

Camila Holanda (vice-prefeita)

Vereador Márcio Silva


E ficam inelegíveis por oito anos:

Vítor Hugo Castelliano

Flávia Monteiro

André Coutinho

Márcio Silva


Além disso, foi aplicada multa de R$ 40 mil aos envolvidos.

O julgamento não foi unânime. O desembargador Aluízio Bezerra Filho discordou do relator e votou pela reforma completa da sentença, mas foi voto vencido. A maioria dos integrantes do TRE-PB acompanhou o relator.

Com a cassação confirmada, Cabedelo volta às urnas para escolher um novo prefeito em eleição suplementar que será marcada pela Justiça Eleitoral.

Entre outubro e novembro, Cabedelo já havia sido alvo de operações contra a influência do tráfico no processo eleitoral, reforçando o clima tenso e instável vivenciado no pleito de 2024.

Goste ou não, Cabedelo viverá um novo capítulo político — e o Papaleguas PB seguirá acompanhando tudo de perto.

A cassação do prefeito de Cabedelo pelo TRE-PB não é apenas mais um capítulo jurídico. É um alerta. Um sinal luminoso mostrando que algo muito mais profundo está acontecendo na política do município — e que, goste ou não, não dá mais para ignorar.

Quando uma cidade precisa voltar às urnas porque a Justiça identifica abuso de poder político, econômico, infiltração criminosa e irregularidades graves, isso não é um simples tropeço administrativo. É um sintoma de um sistema que vem sendo corroído há anos.

Cabedelo já viveu escândalos, operações, prisões e turbulências que deixariam qualquer cidade abalada. A Operação Xeque-Mate em 2018 parecia ter sido o auge. Mas agora, mais uma vez, a política local mostra que não conseguiu se desvencilhar completamente das velhas práticas.

E o mais preocupante é que essa decisão do TRE-PB revela o que muita gente em Cabedelo já sabia, mas poucos tinham coragem de falar: a cidade ainda convive com influências que ultrapassam a política tradicional. Isso deveria ser motivo de debate sério, não de torcida organizada.

A verdade é simples: quando uma eleição inteira precisa ser anulada, o problema não está apenas nos nomes envolvidos, mas na cultura política que se estabeleceu. E isso precisa ser enfrentado pela sociedade, pela Justiça, pela imprensa e, principalmente, pelo eleitor.

Cabedelo agora terá novas eleições. Mas de nada adianta mudar os nomes na urna se não mudar a forma como se faz política. Eleição nova sem postura nova é só um replay de um filme que todos já assistiram — e que ninguém aguenta mais.

Goste ou não, essa é a realidade.

E Cabedelo precisa decidir que futuro quer escrever daqui pra frente.

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