Motta e PT trocam acusações em debate sobre PL da Dosimetria e clima político esquenta na Câmara


O clima político na Câmara dos Deputados voltou a esquentar após a votação do PL da Dosimetria, aprovada na madrugada desta quarta-feira (10/12). O presidente da Casa, Hugo Motta, e parlamentares do PT travaram um embate direto que expôs o desgaste crescente entre os grupos. A sessão, marcada por discursos duros e interrupções, deixou evidente a tensão que se arrasta há semanas.

Tudo começou quando Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, criticou a decisão de pautar o projeto. Em sua fala, o deputado citou o ex-presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, e mencionou o filme Ainda Estou Aqui, que aborda a história de Rubens Paiva, morto durante a ditadura. Para Lindbergh, a proposta defendida por aliados de Hugo Motta teria caráter oportunista e serviria para beneficiar generais envolvidos em atos golpistas, além do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele argumentou que, ao avançar com o PL, Motta estaria interferindo em julgamentos ainda em andamento — o que, segundo o petista, configuraria crime.

Hugo Motta não deixou a crítica passar. O presidente da Câmara afirmou que respeita a história do PT, mas classificou como contraditório o partido invocar o nome de Ulysses Guimarães enquanto teria votado contra a Constituição de 1988. Motta reforçou que considera isso uma “incoerência histórica” e reclamou de citações repetidas feitas por parlamentares petistas durante a sessão. A fala acendeu ainda mais os ânimos no plenário.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que participou da Constituinte de 1988, tentou responder ao presidente da Casa e corrigir sua afirmação. Segundo ela, não é verdadeiro afirmar que o PT votou contra a Constituição; entretanto, sua fala foi interrompida. Motta, porém, manteve sua posição e insistiu que o registro histórico mostra que o partido realmente fez objeções ao texto final como forma de protesto, mas assinou o documento depois da aprovação.

O embate atual não ocorre isoladamente. Nas últimas semanas, Motta e Lindbergh já vinham acumulando desentendimentos. O líder do PT chegou a acusar o presidente da Câmara de não cumprir decisões do STF em processos contra deputados como Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. De acordo com Lindbergh, Motta teria adotado uma postura mais rígida com parlamentares governistas e mais tolerante com bolsonaristas, denunciando o que classificou como “dois pesos e duas medidas”.

As críticas aumentaram quando o petista relembrou o episódio em que apoiadores de Bolsonaro invadiram a mesa diretora da Câmara para pressionar por anistia. Segundo ele, Motta agiu com complacência naquela ocasião, enquanto agora teria acionado a Polícia Legislativa para conter deputados que protestavam contra a votação do PL da Dosimetria.

A proposta aprovada pela Câmara, conhecida como Projeto de Lei 2162/23, segue agora para o Senado Federal. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, afirmou que pretende analisar o texto ainda em 2025. O PL é visto como uma vitória parcial para a oposição bolsonarista, que vinha tentando aprovar uma anistia ampla e irrestrita para Bolsonaro e demais condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas não conseguiu avançar nessa linha. Com isso, a dosimetria surge como uma alternativa estratégica para reduzir penas impostas a militares e aliados do ex-presidente.

O debate promete continuar quente nos próximos dias, já que o assunto mexe diretamente com temas sensíveis como democracia, responsabilização e o futuro político dos envolvidos em ações antidemocráticas. O cenário mostra que, longe de arrefecer, o conflito entre Hugo Motta e o PT tende a se aprofundar enquanto o PL avança para a próxima etapa.

Resumo

A votação do PL da Dosimetria gerou um forte embate entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e parlamentares do PT. Lindbergh Farias criticou o projeto, acusando Motta de interferir em julgamentos relacionados a militares e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que a proposta beneficia condenados por atos golpistas.

Motta reagiu dizendo que os petistas são “historicamente incoerentes” por citarem Ulysses Guimarães, já que o PT votou contra o texto final da Constituição de 1988. A deputada Benedita da Silva tentou contestar essa afirmação, mas foi interrompida.

O conflito entre Motta e o PT já vinha aumentando nas últimas semanas. Lindbergh acusa o presidente da Câmara de descumprir decisões do STF e de agir com dois pesos e duas medidas ao lidar com bolsonaristas e governistas.

O texto-base do PL da Dosimetria foi aprovado na Câmara e seguirá para o Senado. A proposta é vista como uma vitória parcial para a oposição bolsonarista, que busca reduzir penas de condenados dos atos de 8 de janeiro.

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