Internado sob escolta da Polícia Federal, Jair Bolsonaro escreveu uma carta em que oficializa o filho Flávio como seu nome para disputar a Presidência em 2026.
O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro do debate político nacional mesmo estando preso e hospitalizado. Em meio a um dos momentos mais delicados de sua vida pública, Bolsonaro decidiu agir politicamente e deixou claro quem pretende ver como seu sucessor: o senador Flávio Bolsonaro.
A decisão foi formalizada por meio de uma carta escrita pelo próprio ex-presidente, que foi divulgada à imprensa nos últimos dias. No documento, Bolsonaro relata que enfrentou anos de desgaste pessoal, problemas de saúde e impactos familiares por causa da atuação política, mas afirma que segue comprometido com aquilo que chama de “defesa do Brasil”.
No texto, ele afirma que, diante do que considera um cenário de perseguição e injustiça, optou por indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A escolha, segundo ele, teria o objetivo de manter viva a representação dos eleitores que apoiaram seu projeto político.
A carta veio a público no momento em que Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, em Brasília, onde será submetido a uma cirurgia para correção de duas hérnias inguinais. A internação acontece sob forte esquema de segurança, determinado pelo Supremo Tribunal Federal, com agentes da Polícia Federal monitorando o quarto do ex-presidente durante 24 horas por dia.
De acordo com informações médicas, Bolsonaro passou por exames pré-operatórios, incluindo avaliações cardiológicas, e foi considerado apto para o procedimento, que deve durar cerca de quatro horas. Ele foi levado ao hospital um dia após deixar a carceragem da Polícia Federal, onde estava desde novembro.
Nos bastidores políticos, a movimentação é vista como uma tentativa clara de Bolsonaro de manter influência no cenário eleitoral mesmo estando fora das disputas diretas. Ao lançar o próprio filho como herdeiro de seu capital político, o ex-presidente sinaliza que pretende continuar comandando sua base de eleitores nos próximos anos.
A escolha de Flávio também mostra que a família Bolsonaro quer preservar o protagonismo dentro da direita brasileira, num momento em que o campo conservador ainda busca um nome forte para enfrentar seus adversários em 2026.
Opinião do Papaléguas PB
Na nossa avaliação, embora Flávio Bolsonaro tenha peso político por carregar o sobrenome do pai, o nome mais competitivo da direita hoje é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Com maior aprovação administrativa, menos rejeição nacional e bom trânsito fora do bolsonarismo raiz, Tarcísio aparece como uma opção mais viável para unir o eleitorado conservador e disputar o Planalto com reais chances de vitória.
A indicação de Flávio, portanto, pode até manter o controle do grupo Bolsonaro, mas corre o risco de não ser a escolha mais estratégica para quem deseja vencer a eleição presidencial.
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