O Parlamento argentino aprovou o primeiro orçamento da era Milei, prevendo crescimento econômico, superávit fiscal e regras mais rígidas para o Estado. O presidente classificou o momento como histórico.
O Congresso da Argentina aprovou nesta sexta-feira o Orçamento Geral de 2026, marcando um dos momentos mais importantes do governo do presidente Javier Milei. A proposta passou com ampla maioria, consolidando a primeira lei orçamentária aprovada durante sua gestão e encerrando um período em que o país vinha funcionando com contas prorrogadas.
O novo orçamento estabelece gastos da ordem de US$ 102 bilhões, o equivalente a cerca de 148 bilhões de pesos argentinos, e projeta um crescimento de 5% da economia no próximo ano. A inflação prevista é de 10,1%, número considerado baixo para os padrões recentes do país, que enfrentou taxas explosivas nos últimos anos.
Um dos pontos mais celebrados pelo governo é a previsão de superávit primário de 1,2% do PIB, o que significa que o Estado pretende gastar menos do que arrecada, algo raro na história recente da Argentina. Para Milei, isso representa o início de uma nova fase de responsabilidade fiscal e ruptura com décadas de déficits e endividamento.
Nas redes sociais, o presidente comemorou o resultado, afirmando que a aprovação do orçamento é um “fato histórico” e que marca o avanço do projeto liberal que ele prometeu durante a campanha. Segundo Milei, o texto aprovado cria as bases para um Estado mais enxuto, com menos interferência sobre a economia e mais previsibilidade para investidores e cidadãos.
Outro destaque da votação foi a aprovação da chamada Lei da Inocência Fiscal, que estabelece que os contribuintes passam a ser considerados regulares até que o Estado prove o contrário. Para o governo, isso corrige distorções do sistema tributário e reduz o poder de perseguição da máquina pública sobre empresas e trabalhadores.
Milei afirmou que a nova legislação protege as economias dos argentinos e cria um ambiente mais favorável ao investimento e à geração de empregos. “Estamos encerrando uma era em que o Estado tratava o cidadão como suspeito”, declarou o presidente.
Durante os dois primeiros anos de mandato, o governo funcionou com orçamentos herdados de gestões anteriores, por falta de aprovação de um novo texto no Congresso. Agora, com a nova lei sancionada, Milei ganha mais margem para aplicar sua agenda econômica, baseada em cortes de gastos, redução do tamanho do Estado e incentivo ao setor privado.
Analistas avaliam que a aprovação do orçamento envia um sinal positivo aos mercados internacionais, reforçando a percepção de que a Argentina busca estabilidade e previsibilidade após anos de crises econômicas.
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