Os Correios vivem uma de suas piores crises financeiras. Com prejuízo bilionário, a estatal anunciou fechamento de agências, demissões em massa e a contratação de empréstimos gigantescos para tentar evitar um colapso.
Os Correios atravessam um dos momentos mais delicados de sua história recente. Pressionada por uma combinação de prejuízos elevados, greve de trabalhadores e queda na capacidade financeira, a empresa estatal anunciou um pacote de medidas drásticas que inclui o fechamento de centenas de agências e a redução de milhares de postos de trabalho em todo o país.
O plano de reestruturação apresentado pela atual gestão prevê a saída de aproximadamente 15 mil funcionários, além do encerramento de cerca de mil unidades de atendimento. A medida é uma tentativa de frear o avanço do rombo financeiro que se acumulou ao longo de 2025 e que vem comprometendo a capacidade da empresa de honrar compromissos básicos.
Para manter a operação funcionando, os Correios recorreram a um empréstimo de R$ 12 bilhões, contratado junto a grandes bancos públicos e privados. Mesmo com esse valor, a própria direção admite que será necessário captar mais recursos nos próximos meses para manter o plano de recuperação em pé. O dinheiro será usado principalmente para pagar dívidas, salários em atraso e despesas operacionais.
O cenário é ainda mais tenso porque os trabalhadores estão em greve desde a metade de dezembro. As negociações com os sindicatos não avançaram, e uma tentativa de acordo mediada pela Justiça do Trabalho terminou sem consenso. Agora, a definição sobre reajustes e condições de trabalho pode acabar sendo decidida judicialmente, aumentando a insegurança dentro da empresa.
Os números ajudam a explicar a gravidade da situação. Apenas entre janeiro e setembro deste ano, os Correios acumularam prejuízo superior a R$ 6 bilhões, segundo dados financeiros divulgados oficialmente. O desequilíbrio nas contas vem se aprofundando ano após ano, refletindo problemas de gestão, perda de mercado e aumento de custos operacionais.
Com menos agências, menos funcionários e mais dívidas, a estatal tenta evitar um colapso completo. No entanto, especialistas alertam que os cortes, embora duros, podem não ser suficientes se não houver uma reformulação mais ampla no modelo de funcionamento da empresa.
Para milhões de brasileiros que dependem dos Correios para encomendas, documentos e serviços básicos, a crise gera apreensão. Já para os funcionários, o clima é de medo e incerteza diante da possibilidade real de demissões em massa e mudanças profundas na estrutura da empresa.
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