A recente conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova janela de esperança para a indústria exportadora brasileira, especialmente nos setores de café e carne bovina. O diálogo buscou restabelecer a cooperação econômica entre os dois países e revisar as sobretaxas de até 40% impostas aos produtos brasileiros.
Após o contato entre os líderes, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou oficialmente as tratativas com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo o Itamaraty, está prevista uma reunião presencial em Washington, ainda sem data definida. Também participam das discussões o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A Câmara Americana de Comércio (Amcham) avalia que o diálogo entre os governos representa um passo importante para reequilibrar o comércio bilateral, após meses de queda nas exportações. De acordo com a entidade, as tarifas impostas pelos EUA “acentuam o desequilíbrio comercial entre os países”. Somente em setembro, as exportações brasileiras caíram 20,3%, com retração de 25,7% nos produtos taxados e alta de 12,3% nos itens isentos.
No acumulado do ano, as vendas brasileiras aos Estados Unidos caíram 0,6%, enquanto as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,8%, ampliando o superávit dos EUA para US$ 5,1 bilhões.
A taxação atual — resultado de uma ordem executiva assinada por Donald Trump em julho — elevou para 50% a alíquota sobre parte das exportações brasileiras, sob o argumento de “ajuste recíproco” e preocupações com direitos humanos no Brasil. Desde então, o governo brasileiro tenta negociar a redução das tarifas, em meio a tensões políticas e interferências diplomáticas.
Com o aceno mais recente, o mercado vê possibilidade de retomada do equilíbrio comercial e de um novo capítulo nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
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