Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec) teria sido utilizada como fachada pela empresa Prevident Assistência Odontológica para ter acesso a dados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o relatório, e-mails institucionais da Prevident foram usados em comunicações oficiais com o INSS entre 2021 e 2022, inclusive em tratativas do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre a Ambec e o órgão público. A CGU identificou que mensagens trocadas com o timbre empresarial foram enviadas por funcionários da Prevident, o que reforçaria o vínculo entre as duas instituições.
A investigação também apontou que o e-mail institucional da Ambec, registrado na Receita Federal, estava vinculado à empresa Brazil Dental, cujos dirigentes têm relação com um filho do empresário Maurício Camisotti, preso pela Polícia Federal em 12 de setembro por suspeita de envolvimento em fraudes conhecidas como a “farra do INSS”.
Outro nome citado pela CGU é o de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, também preso pela PF na mesma operação. Ele é apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários.
De acordo com os investigadores, a eleição de novos dirigentes da Ambec em março de 2022 teria sido “meramente formal”, o que indicaria o uso de dirigentes laranjas. À época, a associação arrecadava cerca de R$ 25 milhões por mês em descontos automáticos nos benefícios de aposentados. Até março de 2024, o montante estimado chega a R$ 178 milhões.
A Prevident nega as acusações e afirma que “nunca disponibilizou dados, produtos ou serviços aos associados da Ambec”. A CGU e a CPMI do INSS seguem investigando o caso.
0 Comentários