O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou professores e juristas que discordaram de seu voto pela absolvição de Jair Bolsonaro (PL) na ação que analisou a suposta tentativa de golpe de Estado. O caso foi julgado nesta terça-feira (21/10) pela Primeira Turma da Corte.
Durante a sessão, Fux afirmou que a decisão de parte dos colegas teria sido tomada sob “brumas da paixão”, expressão usada para indicar influência emocional, e que “se dissipará com o tempo”.
“O tempo, esse hábito silencioso e implacável, com o dom de infundir as brumas da paixão, revelará os contornos nítidos da verdade expressa nos autos”, declarou o ministro.
Sem citar nomes, Fux leu trechos de uma entrevista do jurista italiano Luigi Ferrajoli, considerado um dos principais teóricos do garantismo penal. O ministro, porém, afirmou que o pensador “não conhece a realidade brasileira”.
Fux também criticou o uso político de fundamentos acadêmicos e lamentou o que classificou como militância ideológica dentro do meio jurídico:
“Com quase cinco décadas de magistério, considero lamentável que a seriedade acadêmica tenha sido deixada de lado por um rasgo de militância política.”
A fala de Fux repercutiu nas redes e dividiu opiniões entre juristas e analistas políticos, reacendendo o debate sobre o papel da academia e da ideologia nas decisões do Supremo.
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