Lula articula nova “superpasta” da Segurança e cotação do diretor da PF expõe racha no governo


O presidente Lula avalia desmembrar o Ministério da Justiça e criar um Ministério exclusivo da Segurança Pública. O nome mais forte para comandar a nova pasta é o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A movimentação ocorre após Ricardo Lewandowski anunciar que deixará o comando da Justiça ainda nesta semana, em meio a pressões políticas e divergências sobre a PEC da Segurança.

O governo Lula entrou em um momento decisivo na área de segurança pública. Após meses de debate nos bastidores, o presidente avalia oficialmente dividir o atual Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas estruturas independentes. A proposta prevê a criação de um Ministério exclusivo para a Segurança, o que daria mais peso político ao tema no ano em que o governo enfrenta críticas crescentes sobre violência e crime organizado.
A mudança, no entanto, está condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional. O texto, de autoria do Executivo, ainda não tem data para votação, o que mantém o plano em suspenso. Mesmo assim, Lula já discute alternativas para reorganizar o comando da área.
Dentro desse cenário, ganhou força o nome do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como possível chefe da nova pasta. Ele é visto por integrantes do governo como um dos responsáveis por fortalecer a atuação da PF no combate ao crime organizado ao longo do último ano. Além disso, tem relação de confiança com o presidente, tendo atuado como chefe de segurança de Lula durante a campanha eleitoral de 2022.
A eventual ida de Andrei para o novo ministério provocaria outra mudança importante: o comando da Polícia Federal passaria ao atual número dois da instituição, o delegado William Murad, garantindo uma transição sem ruptura dentro da corporação.
O pano de fundo dessa reorganização é a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça. O ministro comunicou aos seus secretários que deixará o cargo ainda nesta semana. Antes disso, Lewandowski assinou duas portarias que criam um protocolo nacional de reconhecimento de presos e um sistema de compartilhamento de antecedentes criminais — medidas que estavam entre as prioridades da chamada PEC da Segurança.
Interlocutores do governo afirmam que Lewandowski quer deixar a pasta com a sensação de dever cumprido, entregando instrumentos que possam melhorar o funcionamento do sistema penal e da atuação policial no país.
Ao mesmo tempo, a segurança pública se tornou uma das principais vitrines políticas do Planalto para 2026. Com a criminalidade no centro do debate nacional, Lula tenta mostrar reação, reforçando o discurso de enfrentamento ao crime e reorganizando a estrutura do governo para dar mais visibilidade ao tema.
Nos bastidores, a possível nomeação de Andrei Rodrigues é vista como um movimento estratégico: ao mesmo tempo em que preserva o comando técnico da Polícia Federal, o Planalto também consolida um nome de confiança em uma área altamente sensível.
A decisão final, porém, depende do avanço da PEC no Congresso. Até lá, o governo segue em compasso de espera, enquanto as mudanças já anunciadas mostram que a área da Justiça e da Segurança entrou oficialmente em fase de transição.

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