Joias, suborno e lei marcial: a queda do casal mais poderoso da Coreia do Sul


Um tribunal da Coreia do Sul condenou a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a um ano e oito meses de prisão por suborno, após considerá-la culpada de aceitar bolsas de luxo da Chanel e um colar de diamantes oferecidos por membros da Igreja da Unificação em troca de favores políticos. Além da pena, a Justiça determinou o pagamento de 12,8 milhões de won (aproximadamente R$ 46 mil) e a confiscação das joias.

Kim estava detida desde agosto, durante a investigação conduzida por um promotor especial. Embora tenha sido absolvida das acusações de manipulação do preço de ações e violação das leis de financiamento político, a condenação por suborno agravou ainda mais a crise envolvendo o ex-casal presidencial.

O caso ocorre em meio a um cenário político explosivo no país. O ex-presidente Yoon Suk Yeol, marido de Kim, foi destituído do cargo em abril e enfrenta múltiplos processos judiciais. Ele é acusado de insurreição após uma tentativa fracassada de impor lei marcial em dezembro de 2024, medida que, segundo ele, visava alertar sobre a obstrução do governo por partidos de oposição.

Yoon já recebeu uma sentença de cinco anos de prisão por tentar impedir investigações relacionadas ao decreto da lei marcial e ainda enfrenta um julgamento separado em que promotores chegaram a pedir a pena de morte. A decisão final desse processo está prevista para 19 de fevereiro.

Durante a leitura do veredicto, Kim compareceu ao tribunal em silêncio, vestindo terno escuro e máscara facial, escoltada por seguranças. Do lado de fora, apoiadores do ex-presidente e da ex-primeira-dama se reuniram sob frio intenso e comemoraram a absolvição em duas das acusações.
A Justiça reforçou que, embora o cargo de primeira-dama não conceda poder formal de Estado, trata-se de uma figura simbólica, que deve manter conduta ética compatível com a representação do país. O juiz destacou que alguém nessa posição “pode não ser um modelo perfeito, mas não deve servir de mau exemplo ao público”.

O caso aprofunda o debate sobre corrupção, influência política e responsabilidade institucional, marcando um dos capítulos mais turbulentos da história recente da Coreia do Sul.

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