O governo Lula discute mudanças que podem elevar o total de ministérios para 39 pastas, o maior número da história do Brasil. A criação de um Ministério exclusivo da Segurança Pública e a saída de ministros que disputarão as eleições de 2026 devem provocar uma ampla reorganização política e administrativa no Planalto.
O Palácio do Planalto se prepara para uma das maiores reestruturações administrativas já vistas no Brasil. Caso os planos em discussão avancem, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá atingir a marca histórica de 39 ministérios, igualando o maior número de pastas já registrado no país.
O número chama atenção porque representa um salto significativo na estrutura do governo federal. Para efeito de comparação, Jair Bolsonaro governou com 23 ministérios, enquanto Michel Temer chegou a 29. Ou seja, o eventual patamar de 39 pastas colocaria a atual gestão em um nível de fragmentação administrativa nunca visto desde a redemocratização.
O principal fator por trás dessa possível explosão de ministérios é o debate sobre a criação de uma pasta exclusiva para a Segurança Pública. Hoje, o tema está vinculado ao Ministério da Justiça, mas a crescente preocupação da população com violência e criminalidade levou o governo a avaliar que o assunto precisa de um ministério próprio, com foco exclusivo, orçamento separado e maior peso político.
Se essa nova pasta for criada, o número de ministérios já sobe. Mas o cenário de 2026 adiciona outro ingrediente decisivo: em abril, todos os ministros que desejarem disputar eleições precisarão deixar seus cargos. Entre os cotados para sair estão nomes de peso, como Fernando Haddad, Anielle Franco, Camilo Santana, Wellington Dias, Gleisi Hoffmann e Rui Costa.
Essas saídas abrirão espaço para uma ampla redistribuição de cargos, permitindo que Lula reorganize sua base, acomode aliados e redesenhe o comando do governo nos últimos meses antes das eleições. É nesse contexto que o número 39 ganha ainda mais força: não se trata apenas de mais ministérios, mas de uma reconfiguração política completa.
Dentro do próprio governo, há divergências. Alguns aliados defendem que atingir 39 ministérios pode dar mais capacidade de resposta ao Planalto, especialmente em áreas sensíveis como segurança pública. Outros alertam que o número elevado pode virar munição para a oposição, que já critica o inchaço da máquina pública.
Além disso, existe o problema do tempo e do dinheiro. Um novo ministério exige estrutura, cargos, orçamento e planejamento — e o próximo governo começa logo após a eleição. Há o risco de uma nova pasta não conseguir apresentar resultados concretos antes do fim do mandato.
Mesmo assim, nos bastidores, o entendimento é claro: a segurança pública virou um dos temas mais sensíveis do país, e o governo não quer entrar em 2026 sem uma resposta visível.
Opinião do Papaléguas PB:
Apesar de toda a justificativa política e administrativa, é difícil defender um governo que caminha para 39 ministérios em um país que enfrenta problemas graves na segurança, na economia e nos serviços básicos. A sensação para o cidadão comum é de que o Estado cresce, mas os resultados não acompanham esse aumento. Criar mais pastas, cargos e estruturas às vésperas de uma eleição soa muito mais como uma jogada política do que como uma solução real para os problemas do Brasil. Goste ou não, o Brasil precisa de eficiência, não de mais burocracia.
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