Igreja ligada à “farra do INSS” retira fachada após denúncia e levanta suspeita de empresa fantasma no DF


Uma igreja evangélica localizada no Recanto das Emas, no Distrito Federal, retirou sua placa de identificação poucos dias após uma reportagem do Metrópoles revelar que a instituição pertence a uma sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) — ONG investigada por irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.

A igreja, chamada Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, estava identificada no local até a publicação da denúncia. Após a repercussão do caso, a placa foi removida e o terreno ao lado, que antes era baldio, passou a ser cercado com alambrado, indicando uma tentativa de descaracterizar ou alterar a aparência do endereço.

A AAB está na mira da Controladoria-Geral da União (CGU) após investigações apontarem que a entidade solicitou descontos associativos em nome de pessoas já falecidas, em práticas que se estenderiam por décadas. Segundo levantamento da CGU, foram identificados mais de 27 mil pedidos irregulares, o que reforça as suspeitas de fraude sistemática.

Outro ponto que chama atenção é que, no mesmo endereço da igreja, consta oficialmente o funcionamento de uma empresa ligada a Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer) — outra entidade envolvida no esquema investigado. Apesar disso, quando a reportagem esteve no local antes da mudança na fachada, foi encontrada apenas a estrutura da igreja, sem sinais visíveis de atividade empresarial.

Mesmo assim, dados da Receita Federal indicam que a empresa permanece ativa no endereço, o que levanta a suspeita de que se trate de uma empresa fantasma, usada apenas formalmente para fins administrativos ou financeiros.

O caso reforça os indícios de um esquema estruturado, envolvendo entidades associativas, empresas e possíveis fachadas religiosas, que teriam sido utilizadas para viabilizar descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, prejudicando milhares de beneficiários.


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