O presidente da França, Emmanuel Macron, decidiu não participar, neste momento, do chamado “Conselho da Paz”, órgão proposto pelos Estados Unidos como parte do plano do presidente Donald Trump para a reconstrução e governança da Faixa de Gaza após o conflito.
Segundo o governo francês, a recusa não representa um rompimento diplomático, mas reflete preocupações profundas quanto ao escopo ampliado do conselho e sua compatibilidade com a Carta das Nações Unidas. Paris avalia que o formato proposto extrapola a situação específica de Gaza e pode criar precedentes fora do marco legal internacional estabelecido pela ONU.
O plano norte-americano prevê uma transição em duas fases, incluindo libertação de reféns, retirada parcial de tropas israelenses, desarmamento de grupos palestinos e a instalação de uma administração externa provisória em Gaza. Embora parte dessas medidas tenha sido respaldada por resolução do Conselho de Segurança da ONU, a França entende que o novo órgão de governança permanente levanta dúvidas jurídicas e políticas.
A decisão francesa evidencia divergências entre aliados ocidentais sobre quem deve liderar o processo de reconstrução de Gaza e quais limites devem ser respeitados para garantir legitimidade internacional.
A decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de recusar o convite feito por Donald Trump para integrar o chamado Conselho da Paz sobre Gaza revela mais do que uma simples negativa diplomática. O gesto expõe divergências estratégicas e jurídicas profundas entre Paris e Washington sobre como deve ser conduzido o futuro do enclave palestino após o conflito.
De acordo com autoridades francesas, o convite foi formalmente recebido, assim como ocorreu com outros países, mas a posição da França, “por ora”, é de não participar. O governo em Paris avalia que o conselho proposto pelos Estados Unidos possui um escopo mais amplo do que aquele originalmente aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, o que acende alertas sobre o respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.
O Conselho da Paz é considerado uma peça central do plano norte-americano para encerrar o conflito em Gaza. A proposta foi estruturada em duas etapas. A primeira envolveu medidas emergenciais, como a libertação de reféns israelenses, a retirada parcial das forças de Israel do território palestino, o desarmamento de grupos armados e a criação de uma administração externa interina para governar Gaza durante o período de transição.
Esses pontos iniciais chegaram a ser respaldados por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em novembro de 2025, ainda que com abstenções relevantes, como as de Rússia e China. No entanto, a segunda fase do plano, anunciada recentemente por Washington, prevê a criação de estruturas permanentes de governança, entre elas o próprio Conselho da Paz, com poderes mais amplos e duradouros.
É justamente nesse ponto que surgem as principais reservas francesas. Para Paris, o texto que rege o novo órgão vai além da situação específica de Gaza e pode interferir em dinâmicas regionais mais amplas do Oriente Médio, algo que, na visão do governo francês, deveria passar por um debate mais profundo dentro das instâncias formais da ONU.
A França sustenta que qualquer mecanismo internacional destinado a supervisionar a reconstrução e a governança de Gaza precisa estar claramente ancorado no direito internacional, evitando soluções que possam ser interpretadas como imposições externas ou que fragilizem o multilateralismo. A preocupação não é apenas jurídica, mas também política: um conselho com poderes excessivos pode enfrentar resistência regional e comprometer sua própria eficácia.
Apesar da recusa, fontes diplomáticas ressaltam que Paris não fechou completamente a porta para futuras discussões. A decisão é descrita como cautelosa e estratégica, sinalizando que a França prefere aguardar ajustes no formato do conselho ou um maior alinhamento com as resoluções já aprovadas pela ONU antes de considerar qualquer envolvimento direto.
O episódio evidencia que, mesmo entre aliados históricos, não há consenso sobre o caminho para a estabilização de Gaza.
Enquanto os Estados Unidos defendem uma atuação mais direta e estruturada, a França reforça a necessidade de limites claros, legalidade internacional e respeito às instâncias multilaterais já existentes. O futuro do Conselho da Paz, portanto, segue incerto, assim como o equilíbrio diplomático em torno da reconstrução do território palestino.
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