O prefeito do Recife, João Campos (PSB), passou a enfrentar um pedido formal de impeachment após autorizar a nomeação de um candidato para uma vaga reservada a pessoa com deficiência (PcD), mesmo ele tendo apresentado laudos médicos apenas anos depois do concurso. O caso ganhou repercussão nacional porque o nomeado é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz que atua justamente em processos contra a administração pública. A nomeação havia sido inicialmente negada por procuradoras concursadas, mas acabou liberada pelo procurador-geral do município, indicado politicamente pelo próprio prefeito. Diante da pressão pública, João Campos anulou o ato, mas vereadores alegam que as irregularidades já configuram crime de responsabilidade.
O cenário político do Recife entrou em forte turbulência após a revelação de uma nomeação considerada irregular em um concurso público da prefeitura. O prefeito João Campos, uma das principais figuras do PSB no país, tornou-se alvo de um pedido de impeachment protocolado por um vereador, após autorizar a nomeação de um candidato para uma vaga destinada a pessoas com deficiência.
O problema é que o candidato, Lucas Vieira Silva, só apresentou laudos médicos anos depois da realização do concurso, tentando se enquadrar como PcD após já ter sido reprovado nas regras originais do certame. De acordo com documentos, o pedido de requalificação foi analisado por três procuradoras concursadas do município, que negaram tecnicamente a solicitação.
Mesmo com as negativas formais, o processo acabou sendo levado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo de livre nomeação do prefeito. Ele reverteu as decisões técnicas e autorizou a inclusão de Lucas na lista de aprovados como PcD, abrindo caminho para sua nomeação.
A situação se tornou ainda mais delicada quando veio à tona que Lucas é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz que atua justamente em uma vara responsável por julgar crimes contra a administração pública em Recife. Para parlamentares da oposição, esse vínculo levanta uma grave suspeita de favorecimento institucional.
O vereador Eduardo Moura (Novo), autor do pedido de impeachment, afirma que houve uma “furada de fila” dentro do concurso público, violando princípios básicos da administração, como legalidade, impessoalidade e moralidade. Segundo ele, ao descumprir o edital do concurso, o prefeito teria cometido infração político-administrativa e crime de responsabilidade.
Diante da repercussão negativa, João Campos decidiu anular a nomeação. Porém, para os autores da denúncia, o recuo não elimina o que já teria sido um ato ilegal, uma vez que a interferência política teria ocorrido para beneficiar um candidato específico.
Agora, o pedido de impeachment aguarda análise na Câmara Municipal do Recife. Para que o processo avance, é necessário o apoio de dois terços dos vereadores. Caso seja admitido, o prefeito poderá ser submetido a julgamento por crimes comuns e de responsabilidade perante o Tribunal de Justiça de Pernambuco.
O caso já ultrapassou os limites locais e ganhou projeção nacional, colocando João Campos sob pressão em um momento estratégico de sua carreira política. Nos bastidores, aliados tentam conter os danos, enquanto a oposição promete levar o episódio até as últimas consequências.
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