Mais de dez dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionar publicamente a possibilidade de um novo encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Assembleia Geral da ONU, as negociações entre os dois líderes seguem sem definição oficial.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela BBC News Brasil, embora exista disposição de ambos os lados, o diálogo ainda enfrenta entraves logísticos e circunstâncias internas que adiaram qualquer avanço concreto.
De acordo com o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), o impasse não é político, mas de agenda. As equipes de Lula e Trump buscam compatibilizar compromissos e avaliam inclusive a possibilidade de uma videoconferência antes de um encontro presencial. Há ainda a hipótese de que a reunião ocorra em um terceiro país, caso não seja possível realizá-la em Washington.
Outro fator que, segundo analistas, complica o cenário é a paralisação parcial do governo americano, o chamado shutdown, que travou parte das atividades federais e pode atrasar os preparativos para o diálogo. Mesmo sem impacto direto, diplomatas reconhecem que o tema ficou em segundo plano na Casa Branca.
Nos bastidores, representantes dos dois países tentam reconstruir pontes após meses de tensão. As sanções impostas pelos Estados Unidos a figuras ligadas ao governo brasileiro e à família do ex-presidente Jair Bolsonaro — aliado político de Trump — ainda geram desconforto. Ao mesmo tempo, empresários brasileiros pressionam por uma solução que reduza as tarifas de até 50% sobre exportações nacionais, em vigor desde agosto.
Enquanto Lula mantém tom cauteloso e diplomático, integrantes próximos a Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio, têm adotado postura mais dura. Ainda assim, observadores apontam que há vozes no entorno republicano favoráveis a uma reaproximação com o Brasil, considerada estratégica tanto no campo econômico quanto geopolítico.
Em resumo: a conversa entre Lula e Trump pode acontecer, mas depende de tempo, diplomacia e, principalmente, da superação das crises internas que cercam ambos os governos.
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