A mais recente escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China provocou forte reação nas bolsas mundiais e impulsionou o dĂłlar no Brasil. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (9) uma tarifa de 100% sobre produtos chineses, medida que ele classificou como uma resposta Ă “agressividade comercial” do paĂs asiĂĄtico.
Trump afirmou que a China adotou uma posição “extraordinariamente agressiva” ao controlar exportaçÔes e ampliar restriçÔes sobre semicondutores e terras raras. “Isso afeta todos os paĂses, sem exceção. Ă absolutamente inĂ©dito no comĂ©rcio internacional e uma vergonha moral no trato com outras naçÔes”, declarou o republicano.
Com a medida, os Estados Unidos tambĂ©m deverĂŁo impor, a partir de 1Âș de novembro de 2025, tarifas de exportação sobre softwares crĂticos e restriçÔes a produtos tecnolĂłgicos chineses. Trump acusou Pequim de prĂĄticas desleais e prometeu novas açÔes para “proteger a indĂșstria americana”.
đ° Impacto imediato no mercado brasileiro
A reação foi quase instantĂąnea. O dĂłlar comercial disparou 2,38%, encerrando o dia cotado a R$ 5,5031, maior valor desde 6 de agosto. O Ibovespa caiu 0,73%, aos 140.680 pontos, refletindo o temor de uma nova retração global e a fuga de investidores para ativos de menor risco, como os tĂtulos do Tesouro americano e o ouro, que voltou a subir.
O S&P 500 e o Nasdaq registraram suas maiores quedas percentuais em um Ășnico dia desde 10 de abril, com papĂ©is de tecnologia entre os mais atingidos.
đ China reage e amplia controle sobre exportaçÔes
Em resposta, a China anunciou a inclusĂŁo de cinco novos elementos na lista de controle de exportaçÔes e o aumento da vigilĂąncia sobre usuĂĄrios de semicondutores, alĂ©m de exigir que empresas estrangeiras que utilizem matĂ©rias-primas chinesas sigam regras locais. O paĂs asiĂĄtico Ă© responsĂĄvel por mais de 90% da produção mundial de terras raras, essenciais para a fabricação de equipamentos eletrĂŽnicos e militares.
⚠️ Especialistas alertam para novo ciclo de tensĂ”es
Economistas apontam que a nova ofensiva pode marcar o inĂcio de uma segunda onda da guerra comercial iniciada em 2018, com riscos de desaceleração global, inflação importada e volatilidade nos mercados emergentes.
“As tarifas criam incertezas para cadeias produtivas inteiras. Isso tende a afetar preços, investimentos e expectativas. O dĂłlar tende a se manter valorizado diante desse cenĂĄrio”, explicou um analista do mercado financeiro.
0 ComentĂĄrios