O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atravessa um momento de tensão institucional a pouco mais de um mês da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025. A crise foi agravada pela exoneração de Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais, área responsável pelo cálculo do PIB, revisão metodológica, atualização de bases históricas e incorporação de novas bases de dados no Sistema de Contas Nacionais.
Rebeca foi substituída por Ricardo Montes de Moraes, servidor de carreira do IBGE desde 2005. Segundo nota enviada pelo instituto à CNN Brasil, a Diretoria de Pesquisas está conduzindo uma transição “de forma dialogada”, garantindo o cumprimento integral do plano de trabalho e o cronograma oficial de divulgações para 2026.
Apesar disso, o sindicato dos servidores do IBGE (Assibge-SN) criticou a condução das mudanças, afirmando que a troca de comando em meio a um processo sensível deveria ter sido feita com maior cautela. Para a entidade, exonerações em cargos estratégicos podem abrir espaço para questionamentos sobre a credibilidade dos números produzidos pelo órgão, especialmente em um ambiente político e econômico sensível.
Representantes do sindicato se reuniram com a Secretaria-Geral da Presidência da República e relataram preocupação com a saída de servidores de posições-chave. Segundo a Assibge, a documentação apresentada foi recebida pelo ministro Guilherme Boulos, que solicitou mais informações para aprofundar a análise do caso.
Além da coordenação das Contas Nacionais, outras exonerações ocorreram em áreas relevantes do instituto, como a Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais e a Diretoria de Geociências. O sindicato também criticou a criação da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+), que teve sua implementação suspensa temporariamente pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Na avaliação da Assibge, a iniciativa foi conduzida sem amplo debate interno e gerou instabilidade institucional.
O IBGE reforçou que as Contas Nacionais seguem rigorosamente recomendações de organismos internacionais, como ONU, OCDE, Banco Mundial, FMI e Eurostat. As revisões metodológicas, realizadas a cada dez anos, buscam refletir transformações estruturais da economia. Para o PIB de 2025, o ano-base adotado será 2021, substituindo 2020, considerado atípico devido aos efeitos da pandemia.
O instituto também destacou que o novo manual internacional de Contas Nacionais, já aplicado ao PIB de 2024, amplia o escopo das medições ao incorporar aspectos ligados ao meio ambiente, economia digital, extração de recursos naturais, desigualdade social e bem-estar, alinhando o Brasil aos padrões estatísticos globais.
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