Como empresas de fachada na Europa sustentaram exportações ilegais para a defesa russa


Autoridades da Alemanha prenderam cinco pessoas acusadas de operar uma sofisticada rede internacional de exportação ilegal de mercadorias destinadas a empresas de defesa da Rússia, em violação direta às sanções impostas pela União Europeia após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Segundo o Ministério Público Federal alemão, os suspeitos — cidadãos alemães, russos e ucranianos — teriam utilizado empresas de fachada, destinatários fictícios dentro e fora da UE e uma entidade russa para ocultar o verdadeiro destino das remessas. As prisões foram realizadas por agentes alfandegários nas cidades de Lübeck, Lauenburg e outras regiões estratégicas do país.

As investigações apontam que agências estatais russas estariam por trás da coordenação das aquisições, com 24 empresas russas do setor de defesa, inclusive listadas em bolsa, atuando como usuárias finais dos produtos exportados ilegalmente. Lübeck, cidade portuária no norte da Alemanha, teria funcionado como o centro operacional do esquema, comandado por um dos suspeitos, identificado como Nikita S., cidadão germano-russo.

De acordo com os procuradores, desde fevereiro de 2022 foram organizadas cerca de 16 mil remessas, movimentando ao menos 30 milhões de euros (aproximadamente 187 milhões de reais). Como medida cautelar, a Justiça determinou o congelamento de bens em valor equivalente ao das transações suspeitas. Outros cinco investigados seguem foragidos, enquanto buscas simultâneas foram realizadas em cidades como Frankfurt e Nuremberg.

O caso expõe os desafios enfrentados pelas autoridades europeias para fazer cumprir as sanções econômicas contra Moscou e revela como redes empresariais aparentemente legítimas podem ser usadas para sustentar, de forma indireta, a indústria militar russa em meio ao conflito no Leste Europeu.

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