Pressão dos EUA aprofunda crise energética em Cuba e Washington afirma que regime “está nas últimas”


Cuba enfrenta uma de suas mais graves crises recentes após o endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que passaram a restringir severamente o fornecimento de petróleo à ilha. Dependente majoritariamente de combustível importado, o país caribenho vem sofrendo com apagões frequentes, escassez de combustíveis nos postos e alta nos preços dos alimentos, aprofundando o colapso econômico interno.

O bloqueio teve início após Washington derrubar politicamente o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, no começo do ano, país que era o principal fornecedor de petróleo a Cuba. Além de proibir exportações diretas de petróleo venezuelano para a ilha, os EUA passaram a ameaçar com tarifas e sanções países que continuem enviando combustível ao governo cubano.

A medida faz parte da estratégia do então presidente Donald Trump, que justificou o aumento da pressão como resposta às relações políticas e militares de Cuba com a China e, especialmente, com a Rússia.

Em entrevista à CNN Brasil, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que não há qualquer discussão interna sobre mudança de regime e negou que o país represente ameaça aos EUA. Segundo ele, Cuba não é hostil, não abriga terroristas e não possui bases militares estrangeiras, exceto a base americana de Guantánamo.

Apesar disso, a Casa Branca mantém postura dura. A porta-voz Karoline Leavitt rejeitou pedidos do presidente cubano Miguel Díaz-Canel para negociações em pé de igualdade e afirmou que, diante do colapso econômico do país, o governo cubano deveria “ser cauteloso” em suas declarações. Segundo Washington, o regime “está nas últimas”.

Embora o governo cubano tenha sinalizado disposição para dialogar, insiste que qualquer conversa com os EUA deve ocorrer sem condicionantes que violem sua soberania, independência e autodeterminação. Enquanto isso, a população da ilha continua enfrentando os efeitos diretos do bloqueio: falta de energia, combustível escasso e deterioração das condições de vida.

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