Ataques israelenses realizados nesta quarta-feira (4) deixaram ao menos 18 mortos na Faixa de Gaza, incluindo quatro crianças, segundo autoridades palestinas. Os bombardeios envolveram tanques e ataques aéreos e atingiram principalmente a Cidade de Gaza e Khan Younis, no sul do território.
Como consequência da escalada da violência, Israel suspendeu a passagem de pacientes palestinos pela fronteira de Rafah, que liga Gaza ao Egito, interrompendo evacuações médicas que haviam sido retomadas recentemente após meses de bloqueio. Pacientes e acompanhantes já estavam em ambulâncias quando foram informados de que a travessia havia sido cancelada.
O episódio ocorre em meio à segunda fase do cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos, anunciado em janeiro pelo então presidente Donald Trump, que prevê negociações sobre a governança futura de Gaza e a reconstrução do território. No entanto, questões centrais — como a retirada das forças israelenses de áreas ocupadas e o desarmamento do Hamas — permanecem sem acordo.
Desde o início do cessar-fogo, mais de 530 palestinos morreram, a maioria civis, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. No mesmo período, quatro soldados israelenses foram mortos por militantes palestinos, segundo Israel, evidenciando a fragilidade da trégua.
A agência israelense COGAT, responsável pelo controle de acesso a Gaza, afirmou que a passagem de Rafah estava tecnicamente aberta, mas que não havia recebido da Organização Mundial da Saúde os detalhes de coordenação necessários para viabilizar as travessias. A OMS não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Autoridades do Crescente Vermelho relataram que pacientes chegaram a hospitais no sul de Gaza preparados para sair do território, mas foram surpreendidos com o adiamento das evacuações.
A reabertura parcial da passagem de Rafah era considerada um ponto-chave do acordo de cessar-fogo, permitindo que pacientes graves e alguns civis cruzassem a fronteira pela primeira vez em meses. A nova suspensão aumenta a pressão humanitária sobre Gaza e reforça o clima de instabilidade, mesmo sob um cessar-fogo formalmente em vigor.
0 Comentários