Prefeitura de São Paulo reduz investimento no Carnaval de Rua e aposta em patrocínio privado para manter a festa


A Prefeitura de São Paulo anunciou um corte de aproximadamente R$ 12 milhões no orçamento destinado à infraestrutura do Carnaval de Rua em 2026. O investimento total, que foi de R$ 42,5 milhões em 2025, caiu para R$ 30,2 milhões neste ano. Pela primeira vez, todo esse valor será custeado integralmente por patrocínio privado, principalmente da Ambev, sem uso direto de recursos do Tesouro municipal.

Segundo a gestão do prefeito Ricardo Nunes, a decisão faz parte de uma estratégia de “adequação operacional” do evento. A Prefeitura afirma que prefere ampliar o número de blocos atendidos, mesmo que com menos recursos por bloco, do que aumentar os repasses individuais. A gestão também reforça o discurso de que os blocos não devem “ficar acomodados” com o apoio do poder público e precisam buscar patrocínios próprios, estimulando o empreendedorismo cultural.

Apesar do corte, a Prefeitura destaca a importância econômica do Carnaval de Rua, que em 2025 teria gerado cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos e movimentado aproximadamente R$ 3,4 bilhões na economia paulistana. A expectativa oficial é manter ou até ampliar esses números, mesmo com o novo modelo de financiamento.

A decisão, no entanto, gerou críticas de organizadores e blocos carnavalescos. Alguns alertam para o risco de cancelamento de desfiles, especialmente entre blocos menores ou com menor apelo comercial, que enfrentam dificuldades para conseguir patrocínio privado. Casos como o do bloco Sargento Pimenta, que suspendeu seu desfile por falta de patrocinador, reforçam a preocupação do setor.

Parte dos blocos defende que a Prefeitura aumente os repasses diretos, argumentando que o valor permanece congelado desde 2024 e não acompanha o crescimento dos custos operacionais, como segurança, banheiros químicos e gradis. Atualmente, cerca de 100 blocos recebem R$ 25 mil cada, totalizando um repasse direto de R$ 2,5 milhões.

Em síntese, a gestão municipal aposta em um Carnaval mais sustentado pelo setor privado, enquanto os blocos alertam para o risco de elitização da festa e redução da diversidade cultural do Carnaval de Rua paulistano.

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