A tensão dentro do núcleo bolsonarista ganhou novos capítulos depois que Flávio Bolsonaro decidiu enfrentar publicamente Michelle Bolsonaro. O senador, considerado hoje o principal articulador do grupo enquanto Jair Bolsonaro segue preso, classificou a postura da madrasta como “autoritária” e responsável por criar um grande constrangimento político no Ceará.
O atrito começou quando Michelle participou de um evento no estado e resolveu criticar, diante de todos, o deputado André Fernandes — aliado histórico do bolsonarismo na região. Ela reprovou a aproximação de Fernandes com Ciro Gomes, movimento que segundo o próprio deputado, foi autorizado diretamente por Jair Bolsonaro em uma conversa telefônica no final de maio. O episódio expôs uma divergência interna que muitos tentavam esconder.
Flávio Bolsonaro, ao tomar conhecimento do constrangimento, não poupou palavras. Para ele, Michelle ultrapassou todos os limites ao desautorizar uma articulação que já estava alinhada entre Bolsonaro, Fernandes e demais lideranças. Ele afirmou que a maneira como Michelle tratou o aliado foi “desnecessária, autoritária e desrespeitosa”, justamente em um momento delicado para o grupo político, que tenta preservar o que resta de união após sucessivas crises.
O senador foi além: defendeu abertamente a aliança com Ciro Gomes no Ceará. Segundo Flávio, unir forças com o cirismo pode ser uma estratégia crucial para diminuir a influência do PT no estado nas eleições de 2026. A declaração chamou atenção por envolver Ciro, histórico adversário do bolsonarismo, sinalizando que a necessidade de sobrevivência política está superando antigas rivalidades.
Michelle, por outro lado, tenta ocupar seu próprio espaço dentro do PL e tem demonstrado resistência a acordos que não passam pela sua avaliação pessoal. Esse movimento tem causado ruídos cada vez mais perceptíveis e gerado a impressão de que existe uma disputa silenciosa por protagonismo no clã.
Nas entrelinhas, o recado de Flávio foi direto: Michelle não deveria interferir em articulações previamente combinadas e, mesmo sendo uma figura influente, precisa entender a dinâmica do grupo. Já para os bastidores, a fala do senador foi interpretada como uma tentativa de retomar o controle daquilo que ele considera “estratégia central” do bolsonarismo.
Fato é que o episódio deixou claro que o Ceará virou o novo epicentro dos conflitos internos. A divisão entre quem segue a linha dura de Michelle e quem adere ao pragmatismo eleitoral de Flávio promete continuar rendendo capítulos nas próximas semanas.
Uma coisa é certa: quando o próprio filho acusa publicamente a ex-primeira-dama de comportamento “autoritário”, é porque o clima dentro do grupo está longe da calmaria
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