“Assim não dá”: Michelle Bolsonaro critica plano do PL-CE de apoiar Ciro Gomes


A cena política no Ceará voltou a esquentar após declarações firmes de Michelle Bolsonaro, que resolveu se posicionar publicamente contra a articulação do PL cearense para abrir diálogo com Ciro Gomes (PSDB). O movimento, que vinha sendo tratado de forma discreta dentro da legenda, acabou ganhando repercussão nacional depois que a ex-primeira-dama classificou a tentativa de aproximação como “incompatível” com os valores que o partido defende.

O episódio começou quando aliados do PL no Ceará ventilaram, em eventos internos em Fortaleza, a possibilidade de uma conversa mais ampla com Ciro, que já confirmou sua pré-candidatura ao governo do estado. A iniciativa foi interpretada como uma estratégia para ampliar o espaço do PL na disputa regional e enfrentar o domínio político do PT no estado.

No entanto, para Michelle, essa movimentação passa longe de ser consensual. Em seu discurso, ela destacou que não vê coerência em buscar um acordo com alguém que, por anos, foi um dos principais críticos de Jair Bolsonaro, chegando a usar termos ofensivos para atacar tanto o ex-presidente quanto sua família. Michelle ressaltou que, enquanto parte do PL busca conciliação, Ciro teria mantido uma postura de confronto, sem indicar qualquer gesto real de pacificação. Dessa forma, segundo ela, a aliança não se sustentaria politicamente nem moralmente.

As declarações de Michelle repercutiram imediatamente, já que expuseram um conflito direto com a versão apresentada por André Fernandes, deputado federal e presidente do PL no Ceará. Fernandes afirmou publicamente que a articulação com Ciro não foi uma iniciativa isolada do diretório estadual, mas sim uma construção que teria contado com a anuência de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o próprio ex-presidente, durante um encontro com parlamentares em 29 de maio, teria pedido que fosse aberta uma conversa com Ciro por telefone, no viva-voz, momento em que ficou “acertado” o apoio à candidatura do ex-ministro.

A fala de Fernandes coloca o PL em uma situação delicada: de um lado, a ex-primeira-dama rejeita qualquer aproximação com Ciro, alegando que isso ultrapassa todos os limites; de outro, a direção estadual garante que a articulação foi construída com respaldo da cúpula nacional e teria objetivo estratégico: fortalecer o partido para disputar, em 2026, uma vaga importante no Senado — uma das prioridades da legenda no estado.

O impasse também revela a disputa de protagonismo dentro do PL. Michelle, cada vez mais presente nos eventos partidários pelo país, busca consolidar sua influência dentro da sigla e defender uma linha política mais rígida, enquanto Fernandes tenta conduzir o PL cearense com pragmatismo, mirando alianças que possam realmente viabilizar vitórias eleitorais contra o PT, que historicamente domina o cenário local.

Com versões divergentes e declarações que se chocam frontalmente, o episódio evidencia que o PL terá um desafio significativo nos próximos meses: alinhar discurso, reorganizar sua estratégia no Ceará e definir até que ponto está disposto a abrir mão de princípios para buscar alianças capazes de alterar a correlação de forças no estado.

O certo é que a fala de Michelle Bolsonaro não passou despercebida — e pode influenciar diretamente nos rumos da legenda, ampliando tensões internas que, até então, vinham sendo tratadas nos bastidores. A crise está aberta, e o tabuleiro político do Ceará pode mudar mais algumas vezes antes de 2026.

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