Em decisão o ministro Alexandre de Moraes (STF) deu sinal verde para que os condenados do chamado "segundo núcleo" da trama golpista comecem a cumprir suas sanções. O despacho ocorre após o tribunal esgotar a análise de recursos que tentavam contestar a sentença proferida no final do ano passado.

​O grupo, formado por militares e ex-assessores de alto escalão, é acusado de articular uma ofensiva contra o Estado Democrático de Direito, utilizando instituições públicas para fins partidários.

​O Papel dos Envolvidos na Trama

​A investigação detalha uma divisão de tarefas que visava desde o monitoramento de autoridades até o impedimento físico do exercício do voto:

​Silvinei Vasques (Ex-PRF): Com a pena mais severa (24 anos e seis meses), é apontado como o braço operacional que tentou "tomar um lado" ao usar bloqueios rodoviários para frear eleitores no segundo turno de 2022.

Mário Fernandes (General): Ocupava cargo estratégico na Secretaria-Geral e teria admitido a criação de um plano extremo ("Punhal Verde e Amarelo") que cogitava o assassinato da chapa eleita e de ministros do STF.

Filipe Martins e Marcelo Câmara: Atuavam no círculo íntimo da presidência, sendo responsáveis, respectivamente, pelo refinamento do texto da "minuta do golpe" e pela vigilância de passos de magistrados.

Marília Alencar: No Ministério da Justiça, teria fornecido a inteligência geográfica necessária para direcionar as operações policiais contra os redutos eleitorais da oposição.

​Contraponto Jurídico

​Apesar de as defesas sustentarem que não houve dolo ou que os réus não tinham "competência" para executar tais planos, o entendimento do Supremo foi de que a participação deles foi fundamental para a escalada de violência que culminou nos atos de janeiro. Com o trânsito em julgado das decisões sobre os recursos, o foco agora volta-se para a execução das penas em regime fechado.