A substituição do modelo atual é vista pelo vice-presidente como o caminho ideal para a reforma do Judiciário.

​O debate sobre a estrutura do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo e importante capítulo nesta terça-feira (5). O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, declarou-se favorável à adoção de mandatos temporários para os ministros da Corte, rompendo com o atual modelo de cargo vitalício (onde o magistrado permanece até a aposentadoria compulsória aos 75 anos).
​Em entrevista à GloboNews, Alckmin foi direto ao ponto:

​"O que eu defendo, e já defendia lá atrás, é que tinha de ter mandato. No mundo inteiro, ou é 10 anos, ou é 12 anos, mas você tem de ter mandato".

​Para o vice-presidente, a rotatividade na Suprema Corte permitiria que o magistrado cumprisse seu período de serviço ao país e desse lugar a um novo indicado, o que ele classifica como um "bom caminho" para a modernização do Judiciário brasileiro.

​A fala de Alckmin não ocorre por acaso. O Supremo enfrenta uma crise de imagem e um aumento nas discussões sobre sua reforma, impulsionado por embates políticos e questionamentos sobre o alcance das decisões dos magistrados.

​Recentemente, o cenário em Brasília ficou ainda mais tenso com a rejeição histórica de Jorge Messias (AGU) pelo Senado Federal. Sobre isso, Alckmin considerou "pouco provável" que o presidente Lula insista no mesmo nome para a vaga aberta na Corte, embora admita que ainda não há uma definição sobre quem será o novo indicado ou quando o anúncio será feito.

​​Questionado se o tema dos mandatos temporários será levado para a mesa de discussão da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin foi cauteloso. Afirmou que ainda não tratou desse assunto específico com o chefe do Executivo, mantendo a proposta, por enquanto, como uma defesa pessoal e institucional de sua parte.