Presidente afirma que decidiu aumentar o benefício após descobrir que o programa social não havia sido reajustado durante seu terceiro mandato; proposta orçamentária de 2027 previa a manutenção do valor de R$ 600 por família.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não sabia que o Bolsa Família permanecia sem reajuste durante seu terceiro mandato e classificou a situação como “inexplicável”. A declaração foi feita durante sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, na quinta-feira (15), quando o chefe do Executivo comentou a política de transferência de renda do governo federal.
Segundo Lula, a ausência de atualização do benefício foi identificada após ele tomar conhecimento da situação. O presidente afirmou que questionou integrantes do governo sobre a falta de reajuste e, posteriormente, decidiu elevar o valor pago às famílias beneficiárias.
“É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas”, declarou o presidente durante a entrevista.
Governo previa manter benefício em R$ 600 em 2027
A declaração ocorre após o governo federal encaminhar ao Congresso Nacional, em 31 de agosto, a proposta de Orçamento para 2027 sem previsão de reajuste no valor básico do Bolsa Família. Pelo texto orçamentário mencionado na reportagem, o benefício continuaria em R$ 600 por família.
Lula afirmou que, ao descobrir a ausência de reajuste, decidiu questionar seus ministros sobre a possibilidade de ampliar o pagamento, considerando a disponibilidade de recursos no orçamento.
“Por que não aumentaram o Bolsa Família, se tem espaço fiscal para aumentar?”, relatou o presidente ao explicar a decisão.
Após o episódio, Lula anunciou a elevação do valor do benefício de R$ 600 para R$ 691, conforme informado na reportagem. O anúncio foi feito em um contexto de proximidade do calendário eleitoral, o que também colocou a política social no centro do debate público.
Reajuste entra no debate político
A decisão de aumentar o benefício também reacende discussões sobre a condução dos programas sociais pelo governo federal e o momento em que mudanças nos pagamentos são anunciadas.
Na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022, o valor mínimo do Auxílio Brasil, programa que sucedeu temporariamente o Bolsa Família, passou de R$ 400 para R$ 600. A medida foi adotada naquele ano eleitoral e recebeu críticas de adversários políticos, que questionaram o calendário da iniciativa.
O Bolsa Família é uma das principais políticas de transferência de renda do país e atende famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Por isso, mudanças no valor dos pagamentos têm impacto direto no orçamento doméstico de milhões de brasileiros.
A declaração de Lula sobre desconhecer a falta de reajuste durante seu próprio governo deve alimentar novas discussões sobre o acompanhamento das políticas públicas, o planejamento orçamentário e os critérios utilizados para definir o valor dos benefícios sociais.
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