Projeto do governo federal prevê estudos para transferir trechos de rodovias à iniciativa privada; possíveis pedágios e investimentos previstos levantam dúvidas sobre os custos para os motoristas.
Duas rodovias federais que passam pela Paraíba estão incluídas em um projeto de concessão à iniciativa privada anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério dos Transportes. A iniciativa envolve a estruturação de projetos para cinco trechos rodoviários, com 3.137 quilômetros distribuídos por nove estados brasileiros.
A proposta levanta uma questão para os motoristas paraibanos: caso haja cobrança de pedágio nos trechos incluídos, quanto isso poderá custar a quem utiliza essas estradas diariamente?
BR-116 e BR-104 estão no projeto
De acordo com o BNDES, o contrato contempla um trecho de 473 quilômetros da BR-116, que passa pelo Ceará, Paraíba e Pernambuco, além de 494 quilômetros da BR-104, que atravessa a Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Também estão incluídos trechos das rodovias BR-153, BR-010 e BR-226, em estados das regiões Norte e Nordeste.
O contrato foi assinado em 14 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, pelo Ministério dos Transportes e pelo BNDES. A previsão divulgada é que a estruturação dos projetos de concessão seja concluída até o final de 2030.
Possíveis pedágios levantam debate
A concessão à iniciativa privada pode prever serviços de manutenção, recuperação do pavimento, sinalização e melhorias na segurança viária. Entretanto, as condições de cada projeto, os investimentos obrigatórios e os custos para os usuários ainda precisam ser detalhados.
O ministro dos Transportes, George Santoro, informou que a estruturação deverá considerar medidas para reduzir o custo do pedágio. Apesar disso, ainda não foram divulgadas tarifas para os trechos paraibanos mencionados, e o anúncio não confirma que haverá cobrança nas duas rodovias.
A discussão envolve uma dúvida que interessa diretamente aos motoristas: caso seja instituída uma tarifa, quais melhorias serão garantidas e como será definido o valor pago por quem utiliza a estrada?
Projetos devem ser estruturados até 2030
Segundo o BNDES, a seleção dos trechos levou em consideração a importância estratégica das rodovias para a integração nacional e o crescimento econômico das regiões, especialmente aquelas com expansão da produção agrícola, mas que ainda apresentam déficit de investimentos em infraestrutura.
A previsão de conclusão até o final de 2030 refere-se à estruturação dos projetos, não necessariamente à conclusão de obras nas rodovias.
Para a Paraíba, o tema exige atenção aos detalhes que serão apresentados nas próximas etapas: quais trechos poderão ser concedidos, quais investimentos serão exigidos das futuras concessionárias e se haverá cobrança de pedágio.
Se houver cobrança, quais melhorias serão garantidas aos motoristas paraibanos e quanto isso poderá pesar no bolso de quem depende dessas rodovias?
