A recente definição da chapa majoritária governista para as próximas eleições continua repercutindo intensamente nos bastidores políticos da Paraíba. O anúncio da ex-vice-governadora Lígia Feliciano como pré-candidata a vice na chapa comandada pelo governador Lucas Ribeiro colocou fim a um longo período de impasses, mas abriu margem para questionamentos sobre a estratégia geográfica adotada pelo grupo.


Durante o programa Correio Debate, o jornalista Fábio Araújo externou uma leitura severa sobre o desfecho das negociações. Em sua análise, o movimento representou um erro tático expressivo para a campanha governista.

"Para mi, a escolha de Lígia Feliciano é uma tragédia para a campanha de Lucas. É a pior escolha que eles poderiam ter feito", avaliou o profissional de imprensa.


Histórico de tensões e pretensões rifadas


A composição final do arco de alianças foi alcançada após um processo de intensa disputa interna, que resultou no isolamento de diferentes lideranças que pleiteavam espaço na chapa. De acordo com o que foi repercutido na imprensa local, nomes de peso — como o deputado Adriano Galdino, Eduardo Carneiro e o deputado Luciano Cartaxo — foram gradualmente afastados das principais frentes de negociação.

A reviravolta mais recente envolveu a indicação da Coronel Viviane (PSB), cujo nome era tido como forte nos bastidores até a véspera do anúncio oficial, justamente por sinalizar uma consolidação de forças na Região Metropolitana de João Pessoa. A exclusão do seu nome na reta final evidenciou o tamanho do desgaste nas conversas internas.


O dilema da geografia eleitoral


O ponto nevrálgico das críticas de analistas políticos gira em torno da concentração territorial da chapa. Ao oficializar duas lideranças que possuem como principal base eleitoral o município de Campina Grande — configurando uma dupla representação na Rainha da Borborema —, a campanha corre o risco de passar uma mensagem de distanciamento em relação ao principal colégio eleitoral do estado.


 Saturação regional: O agrupamento de Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano no mesmo reduto eleitoral foi visto por alas da própria base como uma decisão centralizadora.


 Isolamento da Capital: A leitura política indica que a ausência de um representante de João Pessoa na chapa majoritária pode criar dificuldades de interlocução com o eleitorado da capital.

 

Reação das oposições: Fontes de bastidores apontam que, enquanto o clima entre os aliados remanescentes é de resignação, grupos de oposição receberam a notícia com otimismo, enxergando na divisão geográfica uma brecha estratégica para o pleito.